Monday, May 28, 2007

O que transmitir aos nossos filhos?

Matematicamente, 1+1 = 2. Mas na vida temos, normalmente, que 1 + 1 > 2 - com os filhos a serem a maior marca a longo prazo que quaisquer 1 + 1 podem deixar no mundo.

O impacto a longo prazo não consiste na presença corpórea dos filhos no mundo - essa está restrita ao período de vida dos mesmos - sendo de curto prazo na escala da humanidade.
O impacto de longo prazo é feito pelas ideias que transmitimos aos nossos filhos. Estas irão não só guiar a sua interacção com o mundo, como poderão servir de base para os ensinamentos da 2ª geração.

Um filho, mesmo que não o saiba, faz parte de um projecto de vida desenhado pelos seus pais.
Por vezes isto dá azo a problemas quando os pais se esquecem que o único projecto de vida que podem controlar é o da sua vida - os seus filhos enquanto crescem tornam-se independentes.
A vida dos nossos filhos é deles, e são eles que devem fazer o seu projecto.

Opino que o papel dos pais deverá ser o de transmitir às crianças as bases e ferramentas para construírem o seu próprio projecto, p.e. confiança, optimismo e humanismo.

Sunday, May 27, 2007

It is from little that you twist the cucumber

The following is a text with lots of intermixed ideas. Some ideas are old, while others only appeared in the final part of my travel - with my contact with WWII history and with my acknowledgement of the current [dangerous] state of things in Europe and the world.
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Kinder garden and breaking the intercultural/racial gap.

While current TV programs already display some concern regaring inter-racial integration - by showing kids of various origins and diferent skin colours "which likes to play, just like you" - they cannot enter the realm of inter-religion understanding.
I think that kids still in kinder garden age are simply too young to understand the concept of religion. But even at this age they are already receiving the "facts" about their parents' religion.
Inter-religious understanding and the creation of a global-ethic can only be done by the parents at home - we hardly have parents outsourcing the teachings about religion...
But! Thinking about it... parents simply aren't informed about other religions. So, the best place to teach about a global-ethic would be in school (a religion neutral one).

This last idea raises some interesting issues:
  • How to handle the differences between the teaching kids receive in school and back home?
  • What teachings should the children receive, the parental or the school ones?
  • If it is the school ones, to what value system are they mapped to - the national values or some global, humanity ones?
Who has the power in a free think/speech nation to dictate what kids should learn?
In other words, to whom do the kids' minds belong to? Touchy!!!

I think that a solution for this mess rests within every religious power. If people follow the religion then they will follow their teachings. As such, the problem is reduced to a matter of improving those teachings inter-religion wise.

The religion representants could provide guidelines for the parents (to use while teaching their religion to their kids).
Critic mode: In the case of the catholic religion - the one I'm familiar with - I think that there's a total lack of information regarding other religions, including on the sunday school manuals and on the Masses.

So... time to talk to some religious liders! :)

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You might be wandering were did this text came from...
The truth is that this is a subject that has accompanied me for some years now.
In economic terms I would say that religions suffer from a resources problem:
  • a limited number of human minds;
  • several religions feeding a "go and spread the word" approach to getting new followers;
  • "my religion is the right one" mindsets;
Mix all of these together and you'll get Inquisition, Crusades and people sanctified for killing the unfaithful.
Editor's note: I just found out that Jihad does not mean "Holy War"... Fucking media... :|


Well... while in Berlin I had the luck of hearing about a Global Ethic and surprise, surprise, to have my concerns in the words of others. Apparently there has been work towards this global ethic by part of the various religions since has early as 1993, with the Parliament of the World's Religions, where "The Declaration of a Global Ethic" was signed.
Curiously enough... WHY THE FUCK HAVEN'T WE HEARD ABOUT THIS?!?
Clearly religious liders aren't focused on spreading the word, the important one at least...

The text you just read if a followup on the subject. I think a lot of people have to do a Auschwitz tour to open their eyes to the dangers of letting things be and not providing youngsters with the tools to think for themselves - with a global ethic serving has a base for any though regarding others.

Well... to finish I would like to share the sentences I've found in Berlin:
"There can be no peace among the nations
without peace among the religions.
No peace among the religions
without dialogue among the religions"
(Hans Kung, 1993)
While looking for this quote I found a interesting site, check it out if you have time. :)

Acesso à Informação

Todos os indivíduos devem estar alerta para detectar tentativas por parte de uma sociedade para retirar direitos aos seus cidadãos, por exemplo, o acesso censurado à Internet na China.

Não podemos pensar apenas como cidadãos do nosso país.
Estamos todos ligados:
  • geneticamente, por sermos humanos;
  • culturalmente, devido às inúmeras interacções que as sociedades têm tido ao longos dos séculos;
  • economicamente, por usarmos os mesmos recursos no dia-a-dia: petróleo e oxigénio vêm à mente.

As políticas que regem o dia-a-dia de todos nós devem ser globais, pois a nossa realidade actual é também global. E dada a história mundial de corrupção nos diversos regimes reinantes, é também importante que a definição dessas políticas não seja delegada cegamente para uns poucos (escolhidos, ou não): a responsabilidade, assim como o poder de mudar as coisas, é de todos nós.

Não ignoremos esta realidade, abdicando desse poder.

Matemática e Língua

A meio da visita guiada por Berlin a guia começou a contar os visitantes - para garantir que não deixava ninguém para trás.
Do nada, eis que trocou de inglês para francês enquanto debitava números.

Esta é uma ideia que me tem acompanhado ao longo de muitos anos e que nunca registei ou debati com quem percebe da coisa:
Qual a melhor língua para aprender matemática?

Será que podemos encontrar uma relação entre capacidades matemáticas nas pessoas e a língua que é usada para expressar os números?

E ainda... não relacionado com a língua:
Será que a abordagem construtiva que é usada para ensinar matemática é a melhor?
Clarificando:
  • ensinamos a contar pelos dedos;
  • ensinamos a multiplicação como operação a seguir à soma;
Quando tive as cadeiras de Sistemas Digitais e Arquitectura de Computadores fiquei a par como é que os processadores fazem as mesmas operações que nós: exactamente da mesma maneira estúpida que nós... mas mais rapidamente.
Depois lembro-me dos casos de pessoas que são verdadeiros génios - capazes de realizar operações matemáticas absurdamente complexas instantaneamente.
Como é possível?!?

Como é óbvio não tenho uma resposta, mas no seu lugar... tenho uma opinião. :)
"O cérebro é um equipamento altamente complexo. Com os seus milhões de neurónios, é demasiado complexo para ser descrito apenas pelo ADN. A génetica
controla a disposição geral do cérebro, mas a maioria das conexões são resultado
do ambiente. Antes do nascimento, isto significa que utilização de drogas,
doenças e nutrição têm o papel não-genético mais importante. Após o
nascimento, no entanto, é quando as bases da inteligência são definidas. À
nascença o cérebro está longe de estar completamente desenvolvido. As conexões
que se vão realizar dependem dos padrões de utilização dos neurónios. Nesta
questão é certo que o cérebro da criança se vai sintonizar com o seu ambiente. É
aqui que a genialidade começa."

Este texto foi extraído de um artigo publicado na revista Autism-Asperger's Digest, na sua edição de Julho-Agosto de 2002.

Mas voltando à minha opinião/sugestão... :)
Sabendo que há malta que é capaz de olhar para uma mesa cheia de berlindes e dizer quantos lá estão sem pestanejar, e outros capazes de colossos matemáticos igualmente espantosos, que tal explorarmos como é que essas pessoas fazem essas coisas e instituirmos os resultados no actual sistema de ensino?

E já que se iria gastar uns cobres na pesquisa aproveitava-se e metia-se malta de nacionalidades diferentes no processo, dando assim também resposta à minha primeira pergunta. :)

Thursday, May 17, 2007

Mais energia! :)

Boas!

Ontem à noite tive a sorte de apanhar um pouco do clube de "Clube de Imprensa".
O tema em cima da mesa era "A Estratégia Energética Europeia" o que me cativou para aumentar o volume instantaneamente. :)

Apenas apanhei o fim do programa, mas foi o suficiente para ouvir gente muito bem informada a falar de coisas que percebem. O horário a que o programa passou é que me deixa um pouco indignado... é um pouco tarde demais para a massa de portugal trabalhador e demasiado "não à tarde" para substituir os programas de entretenimento ocos que passam todos os dias.

Gostei de ouvir o Engenheiro Carlos Pimenta a falar e, do que disse, retenho a ideia que transmitiu que todas as pessoas que estão a fazer casas agora deviam já estar a fazer "a sua parte" instalando tecnologia para poupar/produzir energia - até porque é um investimento que se paga a si próprio.

Apanhei também o nome de uma tecnologia que não conhecia: "Bombas de Calor" (informação no lado direito da página).

Terminando o post fica aqui uma tecnologia na qual Portugal está a ser pioneiro: "Energia das Ondas". Assim como um post onde o tema está mais explorado.

Thursday, May 10, 2007

Educação e a cultura do ódio

Pensamento:A educação do indivíduo para questionar a informação que recebe é uma pré-condição para uma liberdade efectiva desse indivíduo. Generalizo a questão da educação para além dos regimes opressivos/totalitaristas. Num regime em que todos têm liberdade de expressão... não é isto que quero dizer...
Memos num regime em que os dirigentes são eleitos por sufrágio universal continua a haver o perigo da informação disponibilizada à população estar enviesada ou censurada. Apenas com informação correcta podem ser feitas decisões informadas. Uma decisão feita sem que toda a informação esteja disponível não será "certamente" a melhor. Opino que um indivíduo recebe a informação que usa para se "definir como adulto" durante os primeiros 20 anos da sua vida. Depois disso, o mais comum é a manutenção da crença que o "eu" é imutável, criando-se assim defesas contra ideias diferentes das crenças estabelecidas durante a fase inicial da vida.
Torna-se necessário:
  • garantir acesso a ensino que ensine a pensar;
  • garantir nesse ensino:
  • ferramentas para pensar;
  • factos não enviesados;
  • uma ética humanista;
Ideia paralela: As pessoas são produzidas/recebem ensinamentos da sociedade envolvente. O output deste processo são indivíduos com ideias em conformidade com a sociedade que os ensinou (se assim não fosse, as pressões sociais ou a lei local iriam excluir esses indivíduos da sociedade). Apenas mudando o sistema de ensino de uma sociedade podemos mudar o seu futuro - as mentes das suas crianças.
Atenção: não queremos vender um peixe diferente daquele que estava à venda antes, mas sim ensinar a "escolher" o peixe que lhes vão vender ao longo das suas vidas.
Exemplos de que isto não está a ser feito:
  • Relatos de censura nos livros de história japoneses relativamente a massacres na II Guerra Mundial - encontrei informações contraditórias quanto a isto;
  • Relatos de que em Portugal se ensina que os espanhóis foram enganados aquando da rectificação do tratado de Tordesilhas, e em Espanha se ensina o contrário;
  • O ódio ainda presente entre polacos e alemães/russos;
Relativamente ao último exemplo, pode ser facilmente explicado porque ainda persiste este ódio. Os pais ou avós da malta jovem viveram a II Guerra Mundial na pele e são as suas experiências que partilham com os filhos. No Warsaw Rising Museum, eram muitas as referências aos "alemães" e não aos "alemães nazis" ou, mais precisamente, às "tropas sob ordens do regime nazi". O cérebro humano é rápido a fazer associações (nem sempre correctas). É a forma que temos de lidar com o mundo.
Mesmo enquanto pequenos já generalizamos e fazemos as nossas pequenas "teorias de tudo", perguntem a uma criança porque voam os aviões e mesmo sem saber é provável que obtenham uma resposta. Este funcionamento do nosso cérebro, quando não exploramos as razões pelo que acreditamos nas coisas, acaba por ser responsável por essa aura de vingança ou contas por ajustar entre nações, mesmo anos depois das pessoas que estiveram efectivamente em disputa já não estarem entre nós.

A excepção e a regra

Boas!

Alguns já devem saber, outros ficam a saber agora.

Criei um novo blog onde nos últimos dias estive a despejar o conteúdo do meu livrinho de viagem.
O endereço é http://a-regra.blogspot.com/.
Lá podem ler o que foi para mim o dia-a-dia de viagem - isto numa versão editada para remover conteúdo pessoal. :P

A necessidade de criar um novo blog surgiu porque precisava de registar em formato digital as ideias do livro e não queria misturar o destino "algo mais nobre" que este blog tinha seguido com um mero relato de viagens. Daí a escolha do nome "a regra", como que em oposição a este "excepcao" e simultaneamente em complemento.

Os objectivos dos dois blogs seguem assim dois rumos diferentes.
Idealmente teria n"a regra" um relato banal do dia-a-dia, sendo que na "excepcao" colocaria a análise do que ia surgindo no outro lado. Se assim decidir vou ter de re-editar o conteúdo dos dois blogs para separar as águas. E como não tenho essa alteração como prioritária fica aqui o ponto de separação para que saibam que a partir deste momento a escrita de temas de viagem foi transposta para o outro blog.

Pedimos desculpa pelo inconveniente e prometemos que seremos breves. :)

Wednesday, May 09, 2007

A Face Oculta do Petróleo

O Zé emprestou-me "A face oculta do petróleo", um livro escrito por um jornalista de nome Éric Laurent, resultado de anos a lidar com o tema e com as suas personagens.

Trata-se de uma leitura intensa que segue o fio do petróleo desde a sua infância até ao seu inerente desaparecimento. Nesse percurso revela factos incríveis acerca da influência deste recurso na história global: a forma como derrubou governos, como os alimentou e como os ultra-passou (por meio de instituições supra-nacionalistas). Por fim lembra-nos da nossa dependência de um bem que demorou milhões de anos a ser criado, mas que esgotámos em pouco mais de um século.

Uma leitura indispensável para quem quiser contextualizar melhor os eventos históricos dos finais do século XIX até aos nossos dias.

Como sei que nenhum de vós vai comprar o livro, segue-se um excerto da parte final do livro, para vos fazer pensar. Foi escrito em 1979, por Jean-Jacques, um perito do Instituto Francês do Petróleo.

"O que é a sociedade de consumo, senão o petróleo com fartura? Imaginemos, um
instante, a França [ou Portugal :P] privada de hidrocarbonetos [...]. Mais nada
circula nas estradas. Aliás, já nem há estradas, por falta de alcatrão e de
asfalto. Já não há distribuição. Os comerciantes, desde a merceeira da esquina
ao supermercado, os mercados e os matadouros, são obrigados a fechar [...]. Não
há tractores nos campos, não há aviões no céu. Todos os barcos condenados a
permanecer atracados, salvo alguns antigos navios de cabotagem que trabalham a
carvão... e os veleiros de recreio [...]. Não há aquecimento com combustível, ou
por outras palavras, mais de metade das casas, dos escritórios, das escolas e
dos hospitais condenados ao frio. A indústria está paralizada. A agricultura
recua um século [...]. Quase todas as matérias primas e as fibras artificiais
desapareceram. Já não há náilon, já não há esferográficas, já não há camisas, já
não há roupas impermeáveis, nem lãs contra as traças, nem discos [...]. Num
escritório moderno, desde a alcatifa ao aparelho de telefone, desde o
revestimento das paredes aos móveis metálicos pintados, desde os cestos às
ventoinhas, tudo é de petróleo."

"[...] Plástico, fibras e borrachas
sintéticos, insecticidas, adubos, tintas, medicamentos, corantes, detergentes,
adesivos, tintas de escrever. Estima-se actualmente em mais de 80 000 o número
dos produtos resultantes da indústria do petróleo." (Barry Commoner, The
Politics of Energy, 1979)

O livro mostra também indícios de que o limite máximo de extracção de petróleo irá ser atingido em breve, algo que torna o tema este tema mais actual do que gostaríamos.

Monday, May 07, 2007

Roadmap

Bom... era suposto ter um mapa todo bonito para vos mostrar com os países que visitei, mas o site que estava a usar para o fazer fez porcaria e barrete.
Assim sendo aqui fica uma alternativa:


Como podem ver ainda não viajei nada de especial.
O mundo é grande e espero continuar a minha viagem a médio prazo. ;)

Genocídio na II Guerra Mundial: porque não foi nada feito?

No Warsaw Rising Museum, na Polónia, deparei-me com um livro que tinha como título: The Mass Extermination of Jews in German occupied Poland.

Um livro expectável em tal museu...
A parte interessante é o sub-título, que vos convido a ler.

Para quem não vai lá com o inglês, fica a tradução:
"Nota dirigida aos governos das Nações Unidas em 10 de Dezembro de 1942, e outros documentos"
Para quem também não vai lá com a história... a decisão de começar a matar exterminar os judeus foi tomada em 1942, e foi aplicada até 1945.
Durante 3 anos, pessoas foram assassinadas sem que nada tivesse sido feito para o impedir. :\

Sunday, May 06, 2007

Estonia e a sombra soviética

Terão visto nas notícias há duas semanas atrás os relatos de motins em Tallin, a capital da Estónia.

Por acaso estava lá na altura em que isso aconteceu, mas felizmente não tive contacto com os incidentes em primeira-mão.
Fui agora pesquisar sobre os acontecimentos e quero partilhar o que encontrei.

Na Estónia, foi decidido que uma estátua em bronze de um soldado do Exército Vermelho (exército soviético durante a Segunda Guerra Mundial) deveria ser removida da sua localização, na capital do país - Tallinn, para um cemitério militar.

Pacífico, poderíamos pensar...

E daí... surgiram os motins por parte da juventude russa, o "bloqueio" da embaixada da Estónia em Moscovo e uma "fúria oficial" por parte da Rússia.

Enquanto que para a Rússia a estátua era vista como um símbolo dos seus sacrifícios na Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha Nazi, para a população da Estónia, tratava-se de um símbolo de 50 anos de ocupação soviética.

Vejam esta parte de uma notícia.
Ou leiam a tradução/resumo aqui:

>>>
O ministro dos négocios estrangeiros Sergei Lavrov ligou a Urmas Paet (o seu "correspondente" Estoniano) na quarta-feira para o avisar das "sérias consequências negativas" da realocação do memorial.

Uma fonte industrial russa disse que a Russia iria cortar as exportações de petróleo através da Estónia nos próximos 1-2 meses e iria aumentar as exportações através do porto russo de São Petersburgo.

O primeiro ministro da Estónia Andrus Ansip disse à Reuters numa entrevista em Tallinn que o seu país podia aguentar com quaisquer sanções impostas pela Rússia: "Não estamos muito dependentes da economia Russa," disse ele.

A Estónia recebeu mensagens de apoio por parte da União Europeia, da NATO e dos Estados Unidos durante a disputa, particularmente sobre os protestos na sua embaixada em Moscovo.

"A Rússia está a agir como se a União Soviética ainda existisse," (Urmas Paet)

>>>

Esta Rússia preocupa-me. Não só pela notícia da redução da liberdade de expressão, que partilhei no outro dia, mas também agora por sacar do "petróleo como arma" e ameaçar um país independente.

Isto está bonito, ai está, está.

Saturday, May 05, 2007

A linguagem reencontrada

Enquanto que lá fora a minha comunicação verbal com os locais estava reduzida às palavras que aprendia (no guia ou com a malta do hostel), por cá... a língua dos locais é também a minha! :)

Tendo chegado há apenas uns dias, as palavras portuguesas continuam ainda a merecer alguma atenção especial. Ouvir os seus sons é uma experiência "nova", isto porque todas elas encontram um significado na minha cabeça!

Mas, mais importante, o contrário é também verdade: tenho em meu poder os meios para dizer exactamente o que penso!

Que liberdade! :)

Que bom conseguir dizer um "Obrigado, tenha um bom dia." em vez de um mero "Dgen Cuié" (som de um obrigado em polaco).

E, da mesma forma, que bom vai ser dizer:
"Concerteza. Pode trazer-me o livro de reclamações?".

Que liberdade! :)

Wednesday, May 02, 2007

Genocídio no Darfur - Como aconteceu?

Um outro site, SudanGenocide.org, fornece informações relevantes para compreender o que se passa no Sudão.

À parte, devo dizer que esta ramificação de conteúdos é uma das coisas que me deixa lixado com 'a Internet'. Opino que a informação importante deve estar centralizada para garantir a sua qualidade.
De qualquer forma... sinto-me obrigado a replicar a informação como forma de divulgara coisa. Isto rentabilizando o facto de ter um pequeno grupo de pessoas que vem aqui ao blog procurar coisas sobre a minha viagem pela Europa.
Ah! News update! Já estou de volta a Portugal, mas ainda não terminei a minha viagem, meaning... estou ainda numa fase de closure. ;)

Como a compreensão do Inglês não nasce connosco, tomei a liberdade de facilitar o acesso à informação traduzindo a área de contexto sobre o Darfur do site acima referido.
Segue-se a dita tradução de alta qualidade:

Os eventos históricos relevantes para compreender o actual genocídio no Sudão remontam ao século 19. Em 1885, a capital e maior cidade do Sudão, Khartoum, ficou sobre o poder de Muhammad Ahmad – o auto-proclamado “Mahdi”, que, de acordo com a tradição Islâmica, é aquele que tem a responsabilidade de livrar o mundo do mal. Ele e os seus rebeldes Mahdist(as) assumiram o controlo do Sudão Egipcío, a região norte do país. As condições no Sudão Egípcio pioraram enquanto o norte, maioritariamente Arabe-Muçulmano, atacava constantemente os "Nilotes" - negros não-Arabes do sul do país, para obter terras, recursos e espalhar a influência da fé Islâmica. As condições económicas e sociais pobres que afectavam o Sudão Egípcio neste período, permitiram uma conquista relativamente fácil do governo Mahdist(a) por parte de forças Britânicas e Egípcias (na altura, o Egipto estava sobre a posse dos Britânicos). Os Mahdist(as) renderam-se ao General Anglo-Egípcio Horatio Herbert Kitchener em 1898. Em 1899, os governos Britânico e Egípcio assumiram uma soberania conjunta no Sudão, estabelecendo uma fronteira entre o norte e sul do Sudão.

Em meados do século 20, e especialmente depois da Segunda Guerra Mundial, nacionalistas Egipcios começaram a exigir a retirada das forças Britânicas do Sudão. Os Ingleses definiram as bases para uma República do Sudão, e organizaram um governo interino composto por lideres Sudaneses em preparação para a independência do país. Assim, que os Ingleses abandonaram o país a fronteira que separava norte e sul deixou de existir.

A República do Sudão foi formalmente estabelecida em 1 de Janeiro de 1956. Nas primeiras eleições parlamentares, em 1958, o partido "Umma" conseguiu uma maioria e formou um novo governo. Pouco depois, o governo foi deposto pelo Lider das forças armadas, o General Ibrahim Abboud. Quando Abboud deixou o poder em 1964, a região sul do Sudão revoltou-se com receio de marginalização por parte do Arabe-Muçulmano, politicamente mais forte e com uma população mais numerosa. A revolta levou a uma guerra civil, que apenas terminaria em 1972, sob a condição de uma maior autonomia do sul do país. Perto do fim da guerra, um grupo de oficiais radicais armados liderados pelo Coronel Gaafar Muhammad al-Nimeiry tomaram o poder e em 1972, Nimeiry tornou-se o primeiro presidente eleito do Sudão.

No entanto, a descoberta de petróleo no sul e um imposição acrescida do Islão sob o sul Católico e Animist (não traduzido), renovou os actos de violência e levou a uma guerra civil , com início em Abril de 1985.

A guerra de guerrilha liderada por rebeldes sulistas, conhecidos como Exército de Libertação do Povo Sudanês (SPLA), prevented/"evitou?" que o sul participasse nas eleições que foram levadas a cabo pelo governo Arabe-Muçulmano. A guerra fez os seus estragos e, em 1994, 100,000 refugiados foram obrigados a abandonar as suas casas quando o governou Sudanês liderou ofensivas contra o SPLA. Seguiu-se uma série de cessar-fogo enquanto ajuda humanitária era entregue ao sul destruído pela guerra. A guerra civil entre norte e sul terminou com a assinatura do protocolo de Machakos em 2002. Por volta de 2004, conversações sobre fronteiras de terras disputadas e partilha de riqueza foram fechadas, finalizando assim um frágil acordo de paz. A região do Darfur, no entanto, nunca foi incluída nas negociações do acordo de paz.

Em 2003, grupos rebeldes levaram a cabo uma revolta armada no Darfur - a região Oeste do Sudão. As facções rebeldes (SPLA e o Movimento de Justiça e Igualdade), compostos por grupos étnicos Africanos negros, acusaram o governo Arabe de negligenciar o desenvolvimento da região. Em Fevereiro, as facções rebbeldes atacaram uma guarnição militar do governo matando setenta soldados governamentaris e raptando um general da força aérea. O governo retaliou armando milícias “Janjaweed” Arabes (tradução livre para "homens maus a cavalo"). Foi dada ordem às milícias para não só suprimir os rebeldes, mas também aniquilar os civis de tribos Africanas, não árabes, que se pensava estarem a suportar a revolta.

A crise resultou em perto de dois milhões de civis do Darfur de deslocados e em inúmeras mortes. Um acordo de cessar fogo foi assinado entre os rebeldes e o governo em Abril de 2004. No entanto, o tratado foi 'anulado' devido à violência das milícias Janjaweed Árabes, que continua a matar milhares de vidas inocentes e causar ainda mais mortes devido a doenças e mal-nutrição.

Se tiver um erro crasso na tradução sintam-se à vontade para avisar.

Uma análise final sobre a história à volta do conflito.
Um acto de desumanidade com as dimensões de um genocídio é uma coisa que não acontece da noite para o dia. É necessário que toda uma massa de pessoas seja convencida a agir de uma determinada maneira relativamente a um 'outro grupo' de pessoas.

Desta forma, a prevenção apenas é possível se houver uma comunidade atenta aos primeiros indícios de uma 'lavagem cerebral em massa'.
Fica o convite para pensarem um pouco sobre o artigo sobre a 'última estação noticiosa russa independente' que postei na semana passada. Se a coisa continua vamos ter os Russos a pensar que os Americanos são os seus inimigos... humm...

Hate culture on the rise! :D

Genocidio - Encontrei uma resposta!

Boas!

Encontrei um movimento que vai de encontro àquilo que procurava. Chama-se Genocide Intervention Network e tem como objectivo prevenir o genocídio neste nosso planeta.



Esta comunidade é responsável pelo site GenocideInDafur que tem informação actualizada sobre o conflito.

Gostaria de partilhar alguns desenhos feitos por crianças deslocadas (reminder: estas foram as que não foram arrancadas dos braços das mães e atiradas para fogueiras): The conflict in Darfur Through Children's Eyes.

Também interessante é o facto de existir uma coisa chamada Genocide Convention - irmã mais velha da Declaração dos Direitos Humanos - que foi assinada por vários países (inclusivé Portugal) e onde os países se comprometem a realizar acções para impedir a prática de genocídio.
Curiosamente, ao longo da história, os países assinantes fugiram à responsabilidade de intervir no conflito explorando a semântica associada a 'genocídio'. Algo como: "ainda não morreram pessoas suficientes"...

Na pesquisa de hoje encontrei um preventgenocide.org que teve a sua última actualização em 2005... Even so, tem de bom o facto de estar em várias línguas, uma dimensão não explorada pela Genocide Intervention Netword referida acima.
Ainda sobre traduções e frescura da informação: uma pesquisa no google por genocidio+sudão abre um post num blog de 30 de Julho de 2004. O conteúdo continua relevante, pelo que aqueles que tenham trabalho maçantes só têm a ganhar por lerem e informarem-se mais um pouco.

Vou manter em aberto a possibilidade de encetar esforços no sentido de traduzir os conteúdos desta rede, ou mesmo entrar em contacto da rede para se tornar um pouco mais aberta.
Se não fizer nada acerca disso nos próximos 3 meses, agradecia que alguém me chama-se a atenção. ;)