Enquanto esta alteração explora a proximidade geográfica/linguística da informação. Fá-lo de forma transparente e não comandada por mim - a pessoa que tenta aceder à informação.
Já há bastante tempo que tentativas de aceder ao google.com são redireccionadas para google.pt e hoje caiu a gota final: numa pesquisa que fiz por "renaissance" (em busca do filme com o mesmo nome) apareceu como primeiro resultado um link para "Clínica Renaissance - uma clínica de Estética, Medicina e Cirurgia Estética instalada num espaço de luxo, requinte e bem-estar", seguido de dois resultados para o filme que procurava e em terceiro um expectável link para uma entrada na wikipedia sobre o período da Renascença.
Explorei um pouco mais o mecanismo e aparentemente o google usa os dados que são transmitidos pelo browser para saber qual é a "nossa língua" e depois fornece resultados tendo isso em conta (usando o Internet Explorer o primeiro resultado foi um "Renaissance Marriot" em São Paulo, Brasil).
Uma passagem pelas preferências mostrou que é possível activar a pesquisa apenas em determinadas línguas. Ao escolher apenas o inglês a clínica mencionada acima deixou de aparecer, assim como os restantes links para sites escritos em português.
Opino que se fosse possível desligar este modo de funcionamento então não havia espiga, mas não havendo essa possibilidade fico com uma nuvem cinzenta a pairar sobre a minha cabeça.
Não me sinto nada à vontade sabendo que o meu acesso à informação está a ser limitado com base em regras que estão fora do meu controlo. Censura, anyone?
O "Don't do Evil" do google já teve melhores dias...
- Criação de um google.cn censurado (Google's China Problem (and China's Google Problem);
- Modelo publicitário mais focado no plim que nos utilizadores (Is Google doing advertising evil with new model?);
- Subversão dos interesses dos utilizadores para ganhar plim (Google turns the page… in a bad way.).
Yo António! Acho que um apanhado destas notícias finais com mais alguma pesquisa na web era um bom candidato para diganço/slashdotanço. O que achas?
1 comment:
Hum... pah.. axo que não é bom candidato. Esse tema tá mais do que digado e slashodato... Mas pode servir para se manter activo e não ser esquecido.
Anyway, eu acho que é preciso compreender o contexto Chinês antes de julgar a Google.
A Google é e sempre foi uma empresa muito fixe. Mas como tudo na vida, não é perfeita. Tem defeitos e problemas. Quando se quer que a Google seja a defensora universal dos direitos humanos e seja boazinha e não cometa nenhum pecado, pah isso é uma treta. A Google é uma empresa, e como empresa que é, quer é fazer dinheiro, crescer e prosperar. Se depois, pode fazer boas acções e boas politicas, isso acaba sempre por ser secundário para uma empresa, mas não menos interessante, é certo. Para isso, quer ter uma boa imagem junto dos seus consumidores, mas não sejamos ingénuos, eles não estão cá para corrigir os problemas do mundo, quando muito podem contribuir algo (Google.org, Iniciativas para proteger o ambiente, etc).
Eles tiveram de censurar alguns temas (tibete, as cargas porrada aos estudantes chineses de 1989, taiwan, etc). E o dilema é simples, quem conhece minimamente o contexto chinês, sabe que não há outra hipotese. Ou cumprem com os regulamentos chineses, ou são corridos ao pontapé. Ponto.
Assim, a Google tinha duas hipóteses:
1) Não cumpria. E ficava conhecida como a Santa Google, que não se compromete com censuras. Perderia o acesso ao segundo maior mercado da internet do mundo (e em breve o 1º). Os motores de busca legais na china iam continuar a censurar. Bonito, mas inútil para a causa.
2) Ou então, deixa tolerar alguma censura (E mesmo assim, sabemos que é impossivel censurar tudo, é demasiada informação para se censurar definitivamente). Continua no maior mercado do futuro. E, continua, a fornecer um serviço na China e a tentar influenciar pouco a pouco as autoridades chinesas para que se vá abrindo. Ou seja, é uma força de mudança vinda do interior da China. Pode não ser o ideal (como não haver qualquer tipo de censura), mas é o melhor que eles podem fazer neste momento. Feio, mas útil para a causa.
Para mudar um regime politico totalitário, como o Chinês, vai ser preciso muitos anos. Não se fará como em Portugal, por meio de uma revolução. Eles já tiveram uma, e morreram milhões de pessoas. Já para não falar do Grande salto em frente e da revolução cultural. Acho que vai acontecer aos poucos, como tem acontecido, principalmente com a renovação de gerações, com a prosperidade económica, e com o aumento da classe média chinesa (que tem crescido muito, ao contrário da India, que é a maior democracia do mundo, e no entanto pouco progresso tem feito para tirar as pessoas da pobreza e da miséria).
Com isto, não estou a defender o regime totalitário Chinês, mas só acho que eles têm uma cultura, história e contexto muito diferente do nosso, para querermos que eles sejam como nós, hoje.
Acho que o passo mais importante para vir a existir uma regime mais democrático na China, está ser feito: Prosperidade económica, está a aumentar a classe média, apesar de ainda existir muita pobreza. E é a classe média, que faz uma democracia. Aliás, já existe mais classe média (proporcionalmente) do que na India.
E se todos nós quisermos castigar realmente, o regime chinês, pela sua politica de direitos humanos, então não deviamos comprar nada que tenha sido fabricado lá. Pois isso, só faz com que se continue a sustentar esse regime. Mas alguém acha que é possível, hoje em dia, não comprar nada da China?
Eu quando compro, nem olho para a etiqueta. Indirectamente, estou a sustentar as suas politicas de direitos humanos. E como eu, estão praticamente todas as pessoas do mundo ocidental.
Agora, claro que se pode fazer coisas:
1) Pressionar o Governo Chinês, seja através dos governos, das ongs ou de manifestações.
2) Ir para a China. Ou seja, em vez de não ir para lá, para "os castigar", devemos sim, ir para lá, para pouco a pouco mudar a China por dentro.
3) Os Chineses virem estudar para a Europa e EUA (como ttos têem vindo a fazer). Para que sejam as novas gerações, qualificadas no ocidente, mas sem perder a sua identidade a modificar e a adaptar as politicas chinesas.
4) Globalização é inevitável. Então, cada vez estamos mais dependentes da China, mas isso tem dois sentidos. A China também está cada vez mais dependente de nós, porque somos os seus clientes.
5) Prosperidade económica e desenvolvimento gradual. É o que tem acontecido na China. A crescer a uma média de 10% ao ano. Mas a China tem um nível de literacia e educação a prosperar e a aumentar. O que se tem assistido na China é a um crescimento do poder de compra, e a aumento das oportunidades para cada vez mais chineses (principalmente, os das grandes cidades). Isso tem conduzido a um aumento da classe média, tão essencial a qualquer sociedade dita desenvolvida. Apesar de achar, que podiam fazer muito melhor, principalmente nas áreas rurais. Mas é melhor que nada.
Dito isto, devo dizer, que apesar de tudo, estou muito mais optimista em relação ao desenvolvimento "democrático" da China do que da Índia (que supostamente é uma democracia) ou de muitos países africanos (como o Zimbabue ou Angola, supostamente democracias).
E pronto. O mundo não é branco e preto. É uma grande variedade de cinzentos. A Google seria Evil se promovesse e expandisse a censura, coisa que nunca fez. Mas então a Wal-Mart, a Microsoft, a Yahoo, a Carrefour, e todas as outras multinacionais (europeias, japonesas e americanas) que estão na China teriam ser também todas Evil.
Para mim é muito mais grave um país dito democrático censurar e adulterar algumas peças jornalisticas (como a Fox fez em 2000 nos EUA, com a eleição do Bush) ou a TVI costuma fazer com a deturpação propositada de alguns acontecimentos (como o famoso arrastão da praia do carcavelos aqui há uns meses). A China censura, mas ao menos admite, o que já não é tão mau. Talvez a melhor maneira de mudar a China é começando por limpar a nossa casa e por dar o exemplo. E depois sempre podemos usar os 5 pontos que escrevi em cima, para influenciar, com paciência de chinês, o regime ditatorial da China.
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