Trata-se de uma leitura intensa que segue o fio do petróleo desde a sua infância até ao seu inerente desaparecimento. Nesse percurso revela factos incríveis acerca da influência deste recurso na história global: a forma como derrubou governos, como os alimentou e como os ultra-passou (por meio de instituições supra-nacionalistas). Por fim lembra-nos da nossa dependência de um bem que demorou milhões de anos a ser criado, mas que esgotámos em pouco mais de um século.
Uma leitura indispensável para quem quiser contextualizar melhor os eventos históricos dos finais do século XIX até aos nossos dias.
Como sei que nenhum de vós vai comprar o livro, segue-se um excerto da parte final do livro, para vos fazer pensar. Foi escrito em 1979, por Jean-Jacques, um perito do Instituto Francês do Petróleo.
O livro mostra também indícios de que o limite máximo de extracção de petróleo irá ser atingido em breve, algo que torna o tema este tema mais actual do que gostaríamos."O que é a sociedade de consumo, senão o petróleo com fartura? Imaginemos, um
instante, a França [ou Portugal :P] privada de hidrocarbonetos [...]. Mais nada
circula nas estradas. Aliás, já nem há estradas, por falta de alcatrão e de
asfalto. Já não há distribuição. Os comerciantes, desde a merceeira da esquina
ao supermercado, os mercados e os matadouros, são obrigados a fechar [...]. Não
há tractores nos campos, não há aviões no céu. Todos os barcos condenados a
permanecer atracados, salvo alguns antigos navios de cabotagem que trabalham a
carvão... e os veleiros de recreio [...]. Não há aquecimento com combustível, ou
por outras palavras, mais de metade das casas, dos escritórios, das escolas e
dos hospitais condenados ao frio. A indústria está paralizada. A agricultura
recua um século [...]. Quase todas as matérias primas e as fibras artificiais
desapareceram. Já não há náilon, já não há esferográficas, já não há camisas, já
não há roupas impermeáveis, nem lãs contra as traças, nem discos [...]. Num
escritório moderno, desde a alcatifa ao aparelho de telefone, desde o
revestimento das paredes aos móveis metálicos pintados, desde os cestos às
ventoinhas, tudo é de petróleo."
"[...] Plástico, fibras e borrachas
sintéticos, insecticidas, adubos, tintas, medicamentos, corantes, detergentes,
adesivos, tintas de escrever. Estima-se actualmente em mais de 80 000 o número
dos produtos resultantes da indústria do petróleo." (Barry Commoner, The
Politics of Energy, 1979)
4 comments:
Antes do petróleo já havia merceerias, ou pelo menos mercados. Adaptar-nos-iamos. Se fosse necessário. O petróleo também atrasa a exploração de recursos menos lucrativos, como o hidrogéneo, essa coisa rara.
"Adaptar-nos-iamos"?
Dito assim parece que o esgotamento do petróleo é uma possibilidade incerta, quando na verdade é uma certeza a curto prazo.
O petróleo não é usado apenas como fonte de energia... Recomendo esta leitura para esclarecer: http://www.newcolonist.com/world_without_oil.html
Tens razão no que dizes, claro. Tudo porque não me exprimi com a devida clareza: Adaptar-nos-iamos hoje - e não apenas quando o petróleo esgotar – se não houvesse os interesses que há à volta do petróleo. Tal como se tornou espantosa o vasto leque de produtos que necessitam do petróleo, penso que ainda mais espantosa é a capacidade que hoje em dia existe para encontrar soluções alternativas. Infelizmente, as pressões financeiras são esmagadoras da parte de quem já lá está em cima. Quando o petróleo acabar, serão os mesmos a vir com soluções para sua substituição. Muitas das quais existirão já.
Apreciei a leitura, pelo carácter informativo e a clareza de exposição.
ler todo o blog, muito bom
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